MATÉRIA DE CAPA: INVESTINDO EM EMERGÊNCIA
Reportagem de Rafael Geyger
Foto: Alberton Martins
Empresas que investem na área protegem suas instalações e asseguram a continuidade dos negócios mesmo após acidentes
Um princípio de incêndio não controlado, um acidente de trabalho não atendido imediatamente e de forma adequada, um vazamento de produto químico detectado com atraso. Qualquer uma dessas situações pode tomar proporções drásticas, trazendo sérios problemas a uma empresa e podendo até levá-la à falência. Há indústrias que descobrem isso na prática, após conviverem com alguma tragédia em suas instalações. Outras, preferencialmente aquelas que disputam o mercado internacional, se antecipam à emergência, equipando-se e qualificando-se para enfrentá-la.
Seja reativo ou proativo, o investimento na área de emergência é fundamental para qualquer empresa, independente do seu tamanho. Quem o faz antes de um desastre descobre a sua validade no momento da emergência e não após ela, sem que seus impactos financeiros comprometam a continuidade dos negócios.
Na história recente do Brasil, empresas vêm empregando mais recursos de resposta a emergências, tanto humanos quanto materiais. O engenheiro de Saúde, Segurança e Meio Ambiente Albertoni Martins da Silva Júnior, especialista em emergências ambientais, dis perceber essa evolução nos últimos 10 anos, amparada na atualização de normas, formação de comitês técnicos e certificações de empresas. Para ele, as indústrias do setor petroquímico são as mais avançadas em termos de estudos sobre falhas e atendimentos emergenciais.
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Confira a reportagem na íntegra na Edição 17 Outubro/Novembro 2009 da Revista Emergência.
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ENTREVISTA: URGÊNCIA EM REDE
Entrevista à Cristiane Reimberg
Foto: Valdir Lopes
Gestão, capacitação e multiplicação são palavras-chave para a organização e fortalecimento das ações
O desafio para 2009 e 2010 é desenhar na área de Emergência as redes de atenção às urgências. Os estados devem ajudar os municípios nessa organização para que, ao implantar uma central de regulação, já exista o desenho do hospital de referência, da unidade de prontoatendimento, das ambulâncias e do transporte para a região. Isso é um pouco do que pensa o coordenador da CGUE (Coordenação Geral de Urgência e Emergência) do Ministério da Saúde, o médico Clésio Mello de Castro. Para ele, o SUS (Sistema Único de Saúde) deve funcionar em rede, se articular e se organizar com os níveis de complexidade em cada região. O trabalho do gestor municipal, do estadual e do federal é fazer essa organização das redes de atenção às urgências, efetivando o processo de regionalização do Samu e a implantação das UPA de forma sustentável. Nessa entrevista exclusiva para Emergência durante a Expo Emergência, o médico fala do que vem acontecendo na rede e o que precisa ser melhorado.
Como vem ocorrendo o fortalecimento da rede de atenção às urgências e o que isso significa para o APH Móvel e Fixo?
Depois que um paciente é atendido na via pública, na residência, no agravo à saúde, na ambulância, a questão é: para onde vamos levar esse paciente? Nesse exemplo, conseguimos entender que precisamos de uma rede para que esse atendimento seja feito. Desde 2002, toda unidade de saúde é uma porta de entrada do sistema para o acolhimento e atendimento de urgência. Existe a unidade básica de saúde, com a estratégia de saúde da família que está próxima da população e que acompanha a sua saúde. É natural que a população, na hora do agravo à saúde, vá buscar atendimentos de urgência nessas unidades, que devem estar preparadas para dar o primeiro atendimento de suporte à vida. Da mesma forma, a unidade de prontoatendimento funciona 24 horas e é uma porta de entrada para o atendimento de urgência. Então, essa rede de urgência se configura nas várias unidades de saúde instituídas, de forma que todo paciente tenha assegurado o atendimento, independente do grau de complexidade. Eu posso ter um ferimento, precisar de uma sutura e realizar numa unidade básica de saúde, ou posso precisar de uma cirurgia de um trauma ou TCE (traumatismo cranioencefálico) e precisar ir para um hospital de alta complexidade.
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ATUALIZANDO: PLANEJAMENTO EFETIVO
Foto: SAMU Santo André/SP
Grave acidente revela eficácia de organização e integração entre órgãos
A explosão de uma loja de fogos de artifício, em 24 de setembro, provocou a morte de duas pessoas e o desabamento de residências vizinhas em Santo André/SP. Quatro casas foram destruídas e outros cinco imóveis foram interditados e passarão por reformas. O acidente exigiu grande mobilização dos órgãos de emergência, que atuaram de forma integrada e efetiva, graças a um planejamento previamente estabelecido de operação conjunta em grandes desastres.
Às 12h39min, o 8º Grupamento de Bombeiros recebeu o primeiro chamado após a explosão. Cinco minutos depois, a primeira equipe já estava no local. Conforme o comandante do 8º GB, tenente-coronel Hamilton da Silva Coelho Filho, a existência de um posto da corporação nas proximidades agilizou o atendimento.
Em seguida, chegou ao local o Samu Santo André, quando os órgãos acionaram o plano de atendimento a acidentes com múltiplas vítimas. O instrumento é debatido em reuniões e treinado em simulados anuais, também com a participação da Defesa Civil.
O Corpo de Bombeiros isolou o local e foi o único órgão a permanecer na chamada zona quente. Havia risco de desabamento de outros imóveis. Ao mesmo tempo em que constatavam dois óbitos e tentavam localizar novas vítimas, os bombeiros controlaram pequenos focos de incêndio e realizaram o escoramento de residências e muros que ameaçavam ruir.
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PREVENOR: ENCONTRO COM A CAPACITAÇÃO
Foto: Rafael Geyger
Oitava edição da PreveNor debaterá atendimentos de emergência em reunião de profissionais
Qualificação e atualização profissional em APH, resgate, combate a incêndio e emergências químicas integram a programação da 8ª PreveNor (Feira e Seminário Norte-Nordeste de Saúde, Segurança no Trabalho e Emergência), que ocorre de 21 a 23 de outubro, no Centro de Negócios do Sebrae, em Fortaleza/CE.
Após uma passagem de sucesso por Recife/PE, em 2008, o evento volta à capital cearense, onde é realizado nos anos ímpares, enquanto Pernambuco o recebe nos anos pares. A PreveNor é organizada pela Proteção Eventos, com a realização das revistas Emergência e Proteção.
Se no ano anterior o evento teve como destaque a Jornada do Samu, dessa vez a área de Emergência estará representada pelo 2º Encontro Norte-Nordeste dos Profissionais de Emergência, que acontece no dia 22, a partir das 9h. A iniciativa contará com palestrantes renomados que, além de especialistas em suas áreas, também são pesquisadores nos temas que irão abordar.
Conforme o paramédico, Fire Chief Officer e diretor técnico da Fire & Rescue College Brasil, Jorge Alexandre Alves, o Encontro aproxima os profissionais da região de atualizações técnicas nas áreas de proteção e controle de emergências, além de apresentar a eles algumas práticas adotadas em países considerados como referências no setor.
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ARTIGO GESTÃO DE RISCOS: RISCOS CONTROLADOS
Autores: Rosana Cavalcante dos Santos, Edvaldo de Araújo Paiva, Maria das Graças de Andrade Lima, James Joyce Bezerra Gomes e Joel Ferreira do Nascimento
Foto: Marcio Machado/SESC
Mapeamento das áreas críticas no Acre permite atuação proativa de instituições públicas, privadas e da comunidade frente aos produtos perigosos
Acidentes e emergências ambientais com produtos químicos podem ocorrer em qualquer parte do território nacional e, portanto, em maior ou menor grau, é um tema que, em princípio, diz respeito a todos os órgãos ambientais e de Saúde Pública do País.
Diante disso, se faz necessário o estabelecimento de mecanismos de prevenção, que envolvam a aplicação mais eficaz da legislação e medidas destinadas ao monitoramento ambiental, assim como a melhoria das condições de atendimento às emergências em nível nacional. Por outro lado, é reconhecida a existência de necessidades específicas em cada unidade da federação, em função das suas peculiaridades no que se refere ao tipo e número de atividades de risco envolvendo produtos químicos perigosos. A idealização dos processos de implantação e operacionalização de um Plano Nacional, destinado a preparar os órgãos e instituições do setor público, do setor privado e a comunidade para prevenirem a ocorrência de acidentes com esses produtos e, caso sucedam, para que ocorra prontoatendimento ao sinistro, deve iniciar a partir de um cuidadoso planejamento.
A crescente preocupação com acidentes envolvendo produtos químicos perigosos, agravada com o passivo ambiental existente, como também pelo fato de que, com raras exceções, inexistem mecanismos instituídos para assegurar um prontoatendimento quando da ocorrência de emergências ambientais, fez com que surgisse no dia 20 de agosto de 2003 o Plano Nacional de Prevenção, Preparação e Resposta Rápida em Emergências Ambientais com Produtos Químicos Perigosos (P2R2), posteriormente instituído pelo Decreto Presidencial nº 5.098 em 4 de junho de 2004.
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EXPO EMERGÊNCIA: QUALIFICANDO O SETOR
Foto: Valdir Lopes da Silva
Mais de 50 mil visitantes presenciaram simulações, novidades em tecnologias e atualização técnica na 3ª edição da feira
Mais de 50 mil visitantes é o saldo da 3ª Expo Emergência 2009 (Feira de Resgate, Atendimento Pré-Hospitalar, Combate a Incêndio e Emergências Químicas), que ocorreu dos dias 26 a 28 de agosto, no Expo Center Norte, em São Paulo/SP. Paralelamente, ocorreu a 3ª Expo Proteção (Feira Internacional de Saúde e Segurança no Trabalho), destinada ao setor prevencionista. As feiras apresentaram lançamentos em produtos e soluções para as áreas de Emergência e Saúde e Segurança no Trabalho reunindo empresas brasileiras e multinacionais. Satisfeito com os resultados dos eventos, que superaram as expectativas, o diretor da Proteção Eventos e Publicações, Alexandre Gusmão, afirma que "as feiras aconteceram em um momento de retomada da economia, contribuindo para a alavancagem das vendas dos expositores".
Expo Emergência e Expo Proteção contaram com um crescimento de 20% na área de exposição esse ano em relação à edição de 2007, quando também aconteceram em São Paulo.
Para a próxima edição das feiras na capital paulista, que será realizada de 24 a 26 de agosto de 2011, espera-se incremento tanto no número de expositores quanto na área de exposição. O otimismo do diretor da Proteção é sustentado pelo comportamento dos expositores, que na sua maioria renovaram a participação para 2011.
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ARTIGO: PREVENÇÃO NO TRÂNSITO
Autores: Daniela A. Morais, Erica G. Silva, Heloiza S. Figueiredo e Enilmar Carvalho
Foto: Samu Betim
Levantamento dos acidentes de trânsito atendidos pelo Samu Betim aponta a necessidade urgente de educação da população
Segundo os autores Waldman e Mello-Jorge, a sociedade brasileira vivencia um aumento da morbimortalidade por causas externas que desde a década de 80 tem sido preocupante devido ao impacto causado na saúde. Para os autores Minayo e Souza, o perfil da morbimortalidade no Brasil é semelhante ao de muitos países, acometendo, em sua maior parte, a população de adultos jovens e do sexo masculino.
De acordo com Mantovani e com dados do Ministério da Saúde, os serviços de Urgência e Emergência têm sofrido uma sobrecarga com o aumento do número dos acidentes e da violência urbana, o que ocasionou a reformulação dos atendimentos às urgências visando expandir e direcionar o atendimento ao traumatizado. Para isso, em 202, houve a implantação da Política Nacional de Atenção às Urgências e em 2003, criou-se o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), baseado no modelo francês de Medicina de Emergência. Esse componente pré-hospitalar móvel foi desenvolvido com intuito de assistir precocemente a vítima, que sofreu um agravo, nos casos de Urgência e Emergência e, assim, reduzir a morbimortalidade.
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DEFENCIL: CULTURA DE DEFESA CIVIL
Foto: Antonio Cruz/ABr
Seminário Defencil, em novembro, destacará a importância da prevenção de desastres
Inundações, vendavais, granizo e deslizamentos de terra soam como alterta no Brasil. Diferentes tipos de desastres naturais vêm ocorrendo com frequência no País, ampliando a necessidade de disseminar uma cultura de Defesa Civil, na qual a comunidade e os órgãos públicos possam atuar de maneira integrada, minimizando os impactos provocados pelas adversidades do clima.
Adotar medidas preventivas que atenuem as consequências desses eventos é um dos objetivos principais do V Defencil (Seminário Internacional de Defesa Civil), que ocorre nos dias 18 e 19 de novembro, em São Paulo. A iniciativa é realizada pela Sedec (Secretaria Nacional da Defesa Civil) e pelas coordenadorias Estadual e Municipal de Defesa Civil de São Paulo, sendo executada pelo Ceped (Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres) da Universidade de Santa Catarina.
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ENTREVISTA INTERNACIONAL: SALVANDO VIDAS
Entrevista à Cristiane Reimberg
Foto: Cristiane Reimberg
Médico venezuelano fala dos 35 anos atuando na busca e salvamento, em especial, nas regiões de floresta
"Se eu puder salvar ao menos uma só vida com o que eu aprendi na atenção de emergência e desastre, valeu à pena ter nascido". A frase costuma ser dita pelo médico venezuelano Jose Garcia Velasco cada vez que participa de um treinamento. Ele atua a mais de 35 anos na atenção a emergência e desastres e garante: "Todos os dias aprendemos algo e devemos dar algo. Quem não ensina não sabe nada." A própria escolha pela Cirurgia Geral tem a ver com o trabalho de busca e salvamento, pois para ele é uma forma de ter o conhecimento médico apropriado para o atendimento do lesionado grave.
Garcia esteve na cidade de Campinas/SP, em 2008, no Congresso Panamericano de Trauma, realizado pela SBAIT. Este ano, ele é um dos profissionais que prepara esse evento, que ocorre entre os dias 3 e 6 de novembro, em Caracas, na Venezuela. O objetivo é dar aporte científico para promover o cuidado do trauma nas Américas. Nessa entrevista, o médico fala não só sobre a necessidade de especialização e conhecimento, como divide um pouco de suas experiências sobre busca e salvamento na selva e resgate aéreo. Também conta um pouco de suas ações internacionais, que incluem parcerias com o Brasil.
O senhor é especialista em cirurgia geral. Como se interessou pela área de resgate?
Desde os 16 anos me dedico à exploração e depois passei a me envolver com a busca e salvamento. Assim, quando ingressei na Universidade, fui estudar Medicina e optei pela Cirurgia Geral, mas sempre me envolvendo em missões de busca e salvamento. Optei pela Cirurgia Geral para ter o conhecimento médico apropriado para o atendimento do lesionado grave. Também fui membro honorário da Associação Colombiana de APH, o mesmo ocorreu no Chile e na Argentina. Foi uma honra participar de associações desses países. Atua na área de resgate é o que sempre me fez sentir bem e o que tenho feito em toda minha vida. Se eu puder salvar ao menos uma só vida com o que eu aprendi na atenção de emergência e desastre, valeu à pena ter nascido. Sempre digo isso aos meus companheiros. Simplesmente sentir a tranquilidade, a alegria de ter salvo outra pessoa, me faz totalmente grato pelo treinamento recebido. Claro que temos que salvar mais do que uma vida e pode parecer fácil com 35 anos de experiência em emergência e desastre, mas todos os dias aprendemos algo e devemos dar algo. Quem não ensina não sabe nada. Por isso, congressos são importantes. Em 2009, o Congresso da Sociedade Panamericana de Trauma ocorre em Caracas e nos chama a olhar para o dia a dia da atenção e para a ação de emergência, que se não fizéssemos, obviamente pessoas morreriam. Vale destacar que, hoje, atuo como diretor da Proteção Civil, chamada no Brasil de Defesa Civil, no estado Bolívar, que fica ao sul da Venezuela e faz fronteira com o norte do Brasil, no estado de Roraima.
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Confira a entrevista na íntegra na Edição 17 Outubro/Novembro 2009 da Revista Emergência. |
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