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Edição 2/2010
ESPECIAL: ATIVIDADE DESREGULAMENTADA
Reportagem de Rafael Geyger
Foto: Rives Andrade

Sem regras quanto à formação profissional e atuação de serviços, resgate em espaços confinados segue vulnerável a acidentes

Atuar em um ambiente apertado, pouco iluminado e de acessos limitados, sujeito a incêndios, explosões, asfixia e doenças infectocontagiosas, impõe riscos diários a trabalhadores em tanques, poços, tubulações, galerias e silos. Esse cenário inóspito explica a ocorrência de acidentes frequentes durante operações de trabalho, mas o dado que alarma os serviços de emergência vem do NIOSH, órgão de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos: mais de 60% das mortes que ocorrem em espaços confinados têm o resgatista como vítima. O triste percentual resiste desde a década de 80, o que leva a instituição norte-americana a ser enfática: um plano de resgate bem concebido e executado é uma obrigação na atuação pública e privada.

Embora sem estatísticas tão específicas no Brasil, o quadro atual supõe que a situação nacional seja ainda mais grave. Isso porque não há qualquer lei no País que regulamente a formação do resgatista e sua atuação. Com isso, inexistem parâmetros mínimos de carga horária, conteúdo programático, técnicas de operação, protocolos de atendimento e, tampouco, critérios de qualificação mínima exigida dos instrutores que formam os resgatistas.

A desregulamentação da atividade fragiliza profissionais e serviços, deixando o mercado livre para a atuação de equipes despreparadas, com equipamentos inadequados, sem dar às empresas contratantes garantia de confiabilidade nos serviços.

"Alguns profissionais fazem um curso de resgate em espaço confinado e já saem ministrando treinamento e se dizendo instrutores de resgate. O pior é que não se pode fazer nada, pois não há nada que regulamente o assunto", justifica Marco Aurélio Rocha, técnico da Petrobras Transporte, capacitado em APH, resgate técnico e em espaço confinado.


Confira a reportagem
na íntegra na Edição 
19 Fevereiro/Março da Revista Emergência.

 

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ENTREVISTA: ATUAÇÃO DIFERENCIADA
Entrevista à Paula Barcellos
Foto: Daniela Bossle

Emergencista brasileiro que atua no Grupo de Operações Especiais do condado de Palm Beach fala da estrutura do serviço de resgate e APH dos Estados Unidos

"Para os americanos, só tem um número que pode ser aceito: 100%". Esse é o lema usado também para situações de emergência e que, segundo o emergencista brasileiro Sérgio Jatobá, faz com que nessa área a busca pelo aprimoramento profissional e tecnológico não pare. Com experiência na área de emergências no Brasil e, atualmente, atuando no Grupo de Operações Especiais do condado de Palm Beach, na Flórida, Sérgio conhece as duas realidades, seus aspectos positivos e negativos. "O que eu acho muito interessante nos Estados Unidos é a visão de planejamento, de comunicação e transferência de informação, de treinamentos. É exatamente isso que precisamos melhorar no Brasil", destaca.

Planejamento e transferência de informações que nos Estados Unidos se traduz, por exemplo, na criação de associações e organizações, centros de comunicação e times de treinamento comunitário, explica Sérgio. Outro destaque do sistema americano, segundo ele, é a Medicina de Proteção do Emergencista, uma subespecialidade da Medicina Tática, que protege o protetor, realizada pelo Grupo de Operações Especiais em que trabalha. Sobre o trabalho do Grupo, os aprimoramentos no sistema de comunicação, e também sobre as novidades tecnológicas vindas das guerras e adotadas no atendimento pré e intra-hospitalar em território americano, Sérgio falou à Emergência.

Como funciona o grupo de operações especiais em que você atua?
Existem diversas especialidades dentro do GOE. Podemos citar entre elas: Mergulho de Resgate, Produtos Perigosos, Armas de Destruição em Massa, Paramedicina Toxicológica, Resgate em Alturas, Espaços Confinados, Desencarceramento Técnico, Resgate em Trincheiras, Resgate em Estruturas Colapsadas, Resgate em Corredeiras, entre outras. No meu condado, temos sete equipes de Operações Especiais. Todos os GOEs do condado de Palm Beach respondem tanto às chamadas comuns de emergências médicas, incêndios, como também de operações especiais, por exemplo, as que envolvem bombas, resposta antiterrorismo e produtos perigosos.


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19 Fevereiro/Março da Revista Emergência.

 

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TERREMOTO NA HAITI: O PODER DE SALVAR VIDAS
Reportagem de Rafael Geyger
Foto: Miami-Dade Fire Rescue/Ray Bell


Utilização de recursos adequados, domínio de técnica e integração entre equipes reforçam a importância dos profissionais de resgate

Em meio à tragédia, 135 esperanças. O terremoto de 7 graus na escala Richter, no Haiti, em 12 de janeiro, que levou a ONU (Organização das Nações Unidas) a declará-lo como a maior catástrofe da sua história, foi responsável também por um recorde positivo. Em nenhuma outra tragédia similar, seja em tremores no Paquistão, Indonésia ou Irã, o número de resgatados com vida foi tão alto. Se 135 salvamentos ainda parecem pouco perto das 150 mil vidas perdidas nos escombros, histórias por trás de cada um desses resgates valorizam a atuação de profissionais que detém o poder de salvar vidas.

Basta ver a estimativa do tenente-coronel Rogério Ribeiro Alvarenga, comandante da tropa do CBMDF (Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal) no Haiti. Ao embarcar no dia 14, Alvarenga disse ter esperança de encontrar pessoas vivas e citou relatos históricos de salvamentos até 72 horas após terremotos e, em casos mais raros, até 96 horas. Qual não foi a surpresa do bombeiro brasileiro e, principalmente, da equipe francesa que resgatou uma jovem haitiana 15 dias depois do terremoto, viva após quase inimagináveis 360 horas.

A história da jovem se cruzou com muitas outras de vidas salvas 13, 10, cinco, dois dias depois do abalo sísmico que dizimou a capital do país, Porto Príncipe. A cada resgate, profissionais de diversas partes do mundo sentiam forças para prosseguir, alguns até mesmo após o governo local dar por encerrada a fase de buscas. A mobilização mundial foi tanta que os recordes não pararam de ser registrados na operação. No total, participaram 67 equipes de busca e resgate, trabalhando com 1.918 profissionais e 160 cães.


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na íntegra na Edição 
19 Fevereiro/Março da Revista Emergência.

 

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TRAGÉDIA EM ANGRA: SOB ESCOMBROS
Reportagem de Rafael Geyger
Foto: Roosewelt Pinheiro/ABR


Série de deslizamentos de terra vitimou 53 pessoas na virada do ano em Angra dos Reis

Há duas décadas, o Rio de Janeiro não vivia uma virada de ano tão trágica. Desde o naufrágio do Bateau Mouche e suas 55 mortes, em 1988, não ocorria um desastre tão severo como o registrado na madrugada de 1º de janeiro, em Angra dos Reis/RJ. Deslizamentos de terra mobilizaram profissionais de emergência por 14 dias, até a localização da última das 53 vítimas fatais.

Angra foi o ápice de uma tragédia que atingiu o Rio de Janeiro e o Brasil em decorrência das chuvas na chegada de 2010. Foram ao menos 91 mortes causadas pelo clima na primeira semana do novo ano: 73 no Rio de Janeiro, dez em São Paulo, três em Minas Gerais e cinco no desabamento de uma ponte no Rio Grande do Sul.

Conforme relatório da Defesa Civil de Angra dos Reis, em 36 horas e meia choveu 417 mm (quase o dobro da média mensal). Os deslizamentos atingiram 87 dos 118 bairros da cidade, desalojando 2.284 pessoas e desabrigando outras 652. Os prejuízos materiais foram estimados em R$ 247 milhões.

Tamanha tragédia exigiu uma mobilização de igual proporção dos órgãos de emergência. Atuaram de forma integrada Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Marinha e FAB (Força Aérea Brasileira) em operações de resgate por ar, mar e terra, com o auxílio de cães farejadores, guindastes e retroescavadeiras.


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19 Fevereiro/Março da Revista Emergência.

 

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EXPERIÊNCIAS: VICENCIANDO A TRAGÉDIA
Entrevista ao jornalista Rafael Geyger
Foto: Defesa Civil de Angra dos Reis/RJ

Agente da Defesa Civil de Angra estava em local atingido por deslizamento no momento do desastre

Se a missão da Defesa Civil também é salvar vidas, Thaís dos Reis Silva estava no lugar certo na hora certa. Na madrugada de 1º de janeiro, quando uma série de deslizamentos de terra multiplicava as vítimas em Angra dos Reis/RJ, a agente operacional de Defesa Civil realizava uma vistoria no Morro da Carioca, no exato instante que um novo desmoronamento atingia o local. A presença de Thaís e da equipe do órgão municipal foi vital para retirar dos escombros três sobreviventes, mas também implicou em riscos, até certo ponto, subestimados. Apenas ao amanhecer, quando pôde ver e compreender o tamanho da tragédia, é que ela viu do que escapara. Nesse momento, Thaís já estava na coordenação de um abrigo montado numa escola local, recebendo e confortando moradores, alguns deles amigos de vítimas dos deslizamentos. Aliviada por estar em segurança e feliz por ter ajudado diversas pessoas, a agente operacional, de 27 anos, lembra nesta entrevista detalhes daquela experiência que a transformou em mais uma protagonista da tragédia que se abateu sobre Angra.

O que a equipe fazia no Morro da Carioca no momento do deslizamento?
Fomos ao Morro do Carioca atender a uma solicitação de vistoria. Havia ocorrido um deslizamento menor em uma casa, não no local onde foi o grande deslizamento, mas próximo a ele. Fomos até lá, a casa já tinha desabado e tentamos retirar os moradores das residências em volta. Quando acabamos o serviço, estávamos pegando o carro para ir embora, pois tinha muita coisa acontecendo em Angra naquele momento, e escutamos um barulho forte. Não havia luz.

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19 Fevereiro/Março da Revista Emergência.

 

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BOMBEIROS SP: NOVO FOCO DE ATUAÇÃO
Reportagem de Cristiane Reimberg
Foto: SD PM Valdomiro Brito/COM SOC CB-SP


Bombeiros de São Paulo completa 130 anos e vive uma realidade focada em resgates e nos atendimentos de problemas causados pelas fortes chuvas

Enchentes, deslizamentos de terra e chuvas fortes têm marcado o início de 2010 no estado de São Paulo. Nesse ano, o Corpo de Bombeiros do estado completa 130 anos. Fundado em 1880, a partir de um incêndio ocorrido na biblioteca da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, a corporação vive uma mudança de foco. Se a história passada foi marcada por incêndios, a mais recente traz em si o atendimento a emergências devido a fenômenos naturais. "Esses fenômenos naturais vão direcionar muito fortemente a especialização do bombeiro. No início da sua criação, os bombeiros focavam o incêndio. Hoje, nós vamos estudar esses fenômenos naturais, que são os deslizamentos de terras, as grandes chuvas, os grandes ventos, os fenômenos sísmicos", avalia o comandante do Corpo de Bombeiros de São Paulo, coronel Luiz Humberto Navarro.

Para o comandante, a tecnologia, a legislação e as novas engenharias na construção farão com que os incêndios ocorram cada vez menos. Essa tem sido a tendência nos últimos 30 anos e deve continuar assim. Por outro lado, novos problemas surgem. Na corporação desde 1984, o comandante afirma nunca ter visto chuvas como as que estão ocorrendo atualmente. "Nós tínhamos dois, três deslizamentos na temporada de verão, agora nós temos seis em um dia. O bombeiro abriu um leque de operação junto à sociedade, principalmente, na parte de salvamento e de resgate nas tragédias. Estamos tendo um verão catastrófico, que está exigindo o máximo dos bombeiros", analisa coronel Navarro.

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ARTIGO: EXPERIÊNCIA DE SUCESSO
Autores: Luiz Carlos Wilke, Denise Santos Vilella e Maria Elisa Diniz Nassar
Foto: Núcleo de Educação em Urgência


Programa Amigos do SAMU nas escolas diminui trotes e conscientiza a comunidade sobre a importância do Serviço

Em novembro de 2002, o Ministério da Saúde, por meio da Portaria GM nº 2.048, estabeleceu e regulamentou os princípios e as diretrizes do sistema de atendimento às Urgências e Emergências no País, determinando as normas e os critérios de funcionamento no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Dentre essa rede de sistemas está o SAMU 192 (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), responsável por realizar o APH (Atendimento Pré-Hospitalar Móvel).
O APH é o atendimento que procura chegar precocemente à vítima, após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, inclusive, psiquiátrica), que gera sofrimento, sequelas ou até mesmo a morte, sendo necessário prestar a ela atendimento e/ou transporte adequado a um serviço de saúde hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde.

A cidade de São Paulo, com uma população de cerca de 10,5 milhões de habitantes, conta com um SAMU, que possui, aproximadamente, 120 ambulâncias e uma central de comunicações que recebe as solicitações pelo dígito 192. As ligações/chamados são recebidos por essa central que realiza a triagem dos telefonemas, definindo o recurso necessário/apropriado.

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19 Fevereiro/Março da Revista Emergência.

 

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INTERNACIONAL: AMPARO EMERGENCIAL
Entrevista ao jornalista Rafael Geyger
Foto: Rafael Geyger


Jamaicano radicado nos EUA doa capacitação e equipamentos a países menos desenvolvidos em resposta a emergências

O que leva alguém a doar 2 milhões de dólares em treinamentos para profissionais de emergência de diversas partes do mundo? A resposta para essa pergunta é um desastre tão surreal quanto a própria quantia destinada voluntariamente. Foram os atentados às torres gêmeas em Nova York, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, que mexeram com o jamaicano Patrick Mc Dermott de forma a mudar sua vida. Na ocasião, ele atuou nos resgates e também na logística da operação, facilitando o acesso de profissionais ao local da tragédia.

Desde então, o técnico em Emergências Médicas e instrutor de bombeiros radicado nos Estados Unidos auxilia países menos desenvolvidos na área de emergência não apenas com capacitação, mas também com a doação de equipamentos e veículos. "Sou um estrangeiro que formou uma companhia de treinamento de profissionais de emergências com a visão de distribuir o conhecimento para países mais necessitados", diz. Na recente tragédia do Haiti, o técnico também fez doações ao País.

Mc Dermott se instalou em Chicago, onde fundou duas empresas de treinamento de emergências. É por uma delas, a IFTF (International Fire Training Force), que ele eleva a capacidade de resposta a desastres de países como México, Barbados, República Dominicana, Equador e Gana. Em visita ao Brasil, em novembro de 2009, ele participou do Encontro de Bombeiros Voluntários, em Concórdia/SC, quando conversou com Emergência e revelou o desejo de instalar uma empresa também em solo brasileiro.

O 11 de setembro foi a ocorrência mais marcante que o senhor atendeu?
Sim, pois a vida de qualquer bombeiro mudou a partir daquele dia e até mesmo a vida de quem apenas ouviu falar do que aconteceu. Mudou a forma de combater os incêndios, mudaram as metodologias de treinamento, mudou até a forma como os profissionais se comunicam, porque os walkie-talkies não funcionaram dentro das torres gêmeas.

Confira a entrevista na íntegra na Edição 19 Fevereiro/Março da Revista Emergência.

 

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