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Edição 6/2010
ESPECIAL: EXIGÊNCIAS CONTRA INCÊNDIO
Reportagem de Rafael Geyger

Atualização e padronização de leis e normas são fundamentais para elevar a segurança contra incêndio no Brasil

Pode um empreendedor, ao instalar um sistema de proteção contra incêndio em uma edificação, ter a sua disposição uma série de regulamentos técnicos e, mesmo assim, enfrentar dúvidas sobre que parâmetros utilizar? No Brasil, pode. Essa é realidade nacional da segurança contra incêndio, estabelecida por uma série de códigos estaduais, regulamentos municipais, normas técnicas, norma regulamentadora e instruções técnicas dos corpos de bombeiros.

Apesar da variedade de legislações, investir em diferentes regiões do Brasil esbarra na falta de padronização dos critérios de dimensionamento e das tabelas de exigências. Os conflitos entre os textos normativos resultam na instalação de sistemas distintos de proteção, como extintores, hidrantes, sinalização e iluminação de emergência, detecção e alarme de incêndio.

Assim, uma construtora poderá implantar projetos de segurança contra incêndio diferentes em edificações similares, apesar de atender a legislações oficiais, o que é visto como inadmissível pelo engenheiro José Carlos Tomina, superintendente do CB-24 (Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio), da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). "O fogo é o mesmo em qualquer localidade", enfatiza. "Por exemplo: se for aceito como correto que os shoppings centers devem ser protegidos por sistemas de chuveiros automáticos, tanto faz se o empreendimento for construído no Sul ou no Norte do País, já que os seus ocupantes estarão expostos aos mesmos riscos", exemplifica.


Confira a reportagem
na íntegra na Edição 
21 Junho/Julho da Revista Emergência.

 

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ENTREVISTA: VIDA SOB ESCOMBROS
Entrevista por Carlos Barbouth com participação de Paula Barcellos
Foto: Lívia Maria Lucas Beserra

Diretor dos programas de capacitação de Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas no Brasil fala sobre a técnica usada no mundo

O Brasil vem preparando seus profissionais de emergência para situações específicas de resgate que têm atingido um grau de importância cada vez maior em função de tragédias recentes em todo o mundo. Terremotos, atentados terroristas e outros desastres que resultam em estruturas colapsadas, demandam uma técnica conhecida como BREC (Busca e Resgate em Estruturas Colapsadas). No Brasil, ela é oferecida pelo Centro de Treinamento Operacional do CBMDF (Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal) e ministrada pelo diretor dos programas de capacitação BREC (níveis Leve e Intermediário) e USAR (Busca e Resgate Urbano) e tenente-coronel da Corporação, Paulo José Barbosa de Souza, que também é presidente da Cruz Vermelha Brasileira, de Brasília, e vice-presidente do Grupo Consultor Internacional de Busca e Resgate das Nações Unidas para as Américas (INSARAG/United Nations).

A capacitação em BREC é empregada de acordo com as técnicas internacionais padronizadas pela OFDA-LAC/USAID (Gabinete de Assistência para Desastres da Agência para o Desenvolvimento Internacional do Governo Federal dos Estados Unidos da América - região para América Latina e Caribe) e INSARAG. Elas foram aplicadas por equipes brasileiras em ocorrências recentes, como o terremoto do Haiti, e também em treinamentos, como o Simulado Internacional de Emergências, em outubro passado, em Bogotá, na Colômbia. Sobre a aplicação e desenvolvimento do BREC no Brasil e no mundo o coronel falou à Emergência.

O Senhor treinou profissionais brasileiros que foram ao Haiti na Técnica do Brec. no que consiste essa técnica e como tem sido a aplicação dela no Brasil e no mundo?
A equipe de Brasília, que esteve no Haiti, foi treinada com base nos parâmetros estabelecidos pela INSARAG nos cursos BREC (Intermediário e Leve) com o apoio do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal e da equipe de trabalho da Região das Américas, da OFDA-LAC/USAID, da Cruz Vermelha Colombiana Seccional Cundinamarca de Bogotá, da Cruz Vermelha Brasileira de Brasília e da Direção de Prevenção e Atenção de Emergências de Bogotá. Os cursos respondem às necessidades dos organismos de primeira resposta em nível local para um atendimento mais eficiente dos desastres. Com estes cursos, capacitamos os participantes na busca, localização e resgate de vítimas localizadas superficialente e soterradas em estruturas colapsadas, aplicando a organização e os procedimentos mais adequados e seguros para os profissionais de primeira resposta e para as vítimas.


Confira a entrevista
na íntegra na Edição 21 
Junho/Julho da Revista Emergência.

 

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GOLFO DO MÉXICO: BRASIL EM ALERTA
Reportagem de Rafael Geyger
Foto: Stephen Lehman/U.S. Coast Guard

Óleo vazado em tragédia nos EUA passa longe da costa brasileira, mas gera reflexos na capacidade nacional de responder às emergências

O que era para ser um acidente com perdas humanas e materiais transformou-se em uma catástrofe ambiental de dimensões não totalmente conhecidas. O incêndio e posterior afundamento da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México, em 20 de abril, fez 11 vítimas fatais e espalhou petróleo no mar e na costa do sul dos Estados Unidos. A tragédia revelou que todo o aparato tecnológico existente, aliado a uma variedade de técnicas de contenção, pode não ser suficiente para responder a tamanha calamidade.

Para o Brasil, marcado por um histórico de acidentes ambientais (o mais famoso deles em 2000, no derramamento de óleo na Baía de Guanabara, Rio de Janeiro), o desastre norte-americano talvez tenha vindo em boa hora. Autoridades reuniram-se para definir estratégias de ataque a um problema iminente: não estamos livres de um cenário tão catastrófico quanto o do Golfo do México e se faz necessário, com urgência, o aprimoramento da capacidade de resposta a emergências em corpos hídricos.

No dia 7 de maio, um encontro no Rio de Janeiro, estado que concentra 80% da exploração petrolífera nacional, estabeleceu cinco grupos de trabalho para reunir informações sobre prevenção de acidentes e estratégias de contenção e minimização dos impactos de um possível vazamento. Participaram a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a secretária do Ambiente do Rio de Janeiro, Marilene Ramos e representantes do Ibama, Petrobras e IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo).


Confira a reportagem
na íntegra na Edição 21 
Junho/Julho da Revista Emergência.

 

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TRAGÉDIA NO RJ: RIO DE LÁGRIMAS
Reportagem de Rafael Geyger
Foto: Vanor Correia

Chuvas provocam inundações e deslizamentos, matando mais de 250 pessoas em cidades fluminenses

De forma dramática, o estado do Rio de Janeiro foi apresentado a uma catástrofe natural semelhante ao que só conhecia pela televisão - fruto das lembranças das enchentes no Vale do Itajaí/SC, em novembro de 2008. Nos primeiros dias de abril, a chuva veio em volume histórico, inundou ruas e casas e desmoronou encostas, formando montes de lama, entulhos e morte.

O desastre iniciou na capital e se espalhou por cidades próximas, atingindo Niterói e o Morro do Bumba. Foram 256 mortos, 75 mil desabrigados e desalojados, 25 mil prédios danificados e 2,8 milhões de pessoas atingidas.

No início de tudo, o maior volume de chuva para um único dia em 44 anos. Cartão postal da capital, a lagoa Rodrigo de Freitas transbordou e inundou as ruas a sua volta. Era um sinal de grave anormalidade, que iria adquirir contornos mais trágicos com os deslizamentos. Só na capital, foram 68 mortes. Itaboraí, Magé, Petrópolis, São Gonçalo, Nilópolis e Paulo de Frontin também tiveram vítimas fatais.


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Junho/Julho da Revista Emergência.

 

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ATUALIZANDO: COMBATE INTEGRADO
Foto: 5º GB - Guarulhos

Grande incêndio em Guarulhos/SP mobilizou recursos, garantindo a eficácia da operação


Um incêndio de grandes proporções atingiu o centro de distribuição da rede de lojas Ponto Frio, em Guarulhos, no dia 12 de maio, exigindo intensa mobilização do 5º GB (Grupamento de Bombeiros). O fogo destruiu o galpão de 31 mil metros quadrados da empresa, mas os prejuízos foram apenas materiais.

A atuação integrada de diferentes serviços foi fundamental para o sucesso da operação, na análise do comandante do 5º GB, tenente-coronel Edson de Oliveira Silva. Segundo ele, foram envolvidos no combate cerca de cem bombeiros, que fizeram uso de 46 viaturas durante a ocorrência. Além de Guarulhos, participaram bombeiros de Mogi das Cruzes, Santo André e da capital.

O acionamento de recursos de outras cidades estava previsto no SICOE (Sistema de Comando e Operações em Emergências), que é ativado sempre em grandes ocorrências. Conforme o tenente-coronel, ele possibilita que haja suporte na área operacional e logística, qualificando a operação.


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Junho/Julho da Revista Emergência.

 

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EXPERIÊNCIAS: O OLHAR DA VÍTIMA
Entrevista ao jornalista Rafael Geyger
Foto: Fernando Deufel

Jornalista inseriu o próprio acidente em pesquisa acadêmica sobre o trabalho dos bombeiros


A jornalista Camila Garcia, 24 anos, sempre ouviu que bombeiros eram heróis anônimos. Durante a conclusão da sua graduação, ela decidiu pesquisar sobre o tema. Para tanto, analisou fatos históricos, entrevistou profissionais e ouviu vítimas socorridas por eles. O trabalho, contudo, só se completou após um fato inusitado. Em 21 de outubro de 2009, Camila estava entre os passageiros que se feriram na colisão entre dois ônibus, em Guarulhos/SP. Levemente machucada, ela acompanhou como atuam os bombeiros, complementou sua pesquisa e saiu com uma certeza: os soldados do fogo, que comemoram seu dia em 2 de julho, amam o que fazem. "Falar sobre os bombeiros é referir-se a uma categoria sem preconceitos, que chora quando tem vontade, que se emociona quando o coração aperta, que se abraça em momentos de alegria ou tristeza e que não espera aplausos. Ser bombeiro é um estado de espírito", refere, em trecho de sua pesquisa.

Como o acidente contribuiu com sua pesquisa?
Durante minha pesquisa, tentei acompanhar um atendimento dos bombeiros, mas não consegui. Todos os dias, eu ficava pensando - e é ruim pensar assim - que poderia acontecer algum acidente para eu ver como é o atendimento deles. Acabou acontecendo comigo.


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INTERNACIONAL: SISTEMA AMERICANO
Entrevista à jornalista Paula Barcellos
Foto: Rafael Geyger

Especialista relata suas experiências nos Serviços de Emergências Médicas como advogado e paramédico


O paramédico e advogado norte-americano, Frank Nagorka, tem participado de momentos importantes para os Serviços de Emergências Médicas (EMS - Emergency Medical Services) dos Estados Unidos. Além de atuar na elaboração de leis e acompanhar os processos judiciais que envolvem esse tipo de serviço, o paramédico esteve presente e ativo em grandes eventos como a posse do presidente Barack Obama em Chicago.

O sistema americano conta com diferentes leis para EMS. Isso porque cada um dos 50 estados que compõem o país legisla de forma diferente. Nacionalmente, existem padrões para os EMTs (Técnicos em Emergências Médicas) e Paramédicos, mas os estados têm autonomia para decidir segui-los ou não. Frank Nagorka falou com Emergência sobre todo esse cenário, que envolve prática profissional, legislação e tecnologia para proteção do sistema.

Como foi a expiriência de atuar na posse do predifente Barack Obama?
No local, o Serviço Secreto inspecionou meus equipamentos e averiguou informações sobre mim. Esse tipo de controle é padrão para esses tipos de eventos. O Serviço Secreto também era responsável por nos ajudar a chegar ao paciente que precisasse de ajuda. Um evento como esse envolve muito planejamento e uma excelente coordenação entre os diversos prestadores.


Confira a entrevista
na íntegra na Edição 21 
Junho/Julho da Revista Emergência.

 

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SENABOM: LIÇÕES DAS TRAGÉDIAS
Foto: Neva Daltrozo/SECOM

Atuação em desastres recentes é o destaque de evento que congrega bombeiros militares


Blumenau/SC recebe o 11º Senabom (Seminário Nacional de Bombeiros) de 23 a 26 de junho. A cidade catarinense, que foi castigada por inundações e deslizamentos em 2008, sedia um evento que discutirá a atuação dos profissionais nos resgates de vítimas e nas ações de defesa civil.

Segundo o tenente-coronel Marcos de Oliveira, chefe da 3ª Seção do Estado-Maior Geral do CBMSC (Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina) e membro da comissão organizadora do evento, o 11º Senabom concentra-se nas estratégias de redução dos efeitos dos desastres, com destaque para a discussão de boas práticas e lições aprendidas com as tragédias recentes. Atendimento pré-hospitalar, busca e salvamento também são temas abordados nas palestras.
A expectativa é receber cerca de 2.000 operadores de segurança pública, entre bombeiros, policiais, engenheiros, técnicos de Segurança, médicos, enfermeiros, socorristas, agentes de defesa civil e estudantes. As inscrições podem ser feitas até a data do evento, no site da Praxis Feiras e Congressos: www.praxis.srv.br/index.php?sec=1021.

Nesse site, também se encontra a programação completa do evento, que sediará uma reunião extraordinária da Ligabom (Liga Nacional dos Corpos de Bombeiros) nos dias 24 e 25. Ainda está prevista a realização de demonstrações profissionais, apresentações de novas tecnologias, exposição de viaturas e equipamentos e treinamentos de curta duração.


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ARTIGO: ABALO EMOCIONAL EM EMERGÊNCIAS
Autores: Emair da Cunha Borst, Ney Roberto Váttimo e Izabela Tissot Antunes Sampaio
Foto: Michael c. Barton/U.S. Navy

Pesquisa mostra que brigada de emergência tem pouco conhecimento sobre a aplicação da Psicologia das Emergências e Desastres nas ocorrências


Na última década, temos testemunhado a ocorrência de vários desastres de grande escala no mundo inteiro: tempestades, inundações, terremotos, furacões, epidemias, ataques terroristas, incêndios, secas, desmoronamentos, contaminação da natureza por produtos químicos, acidentes de trânsito, guerras, vandalismo social e até panes em infraestruturas tecnológicas vitais causadas por vírus de computador ou falha técnica. Esses são exemplos de ameaças que a sociedade do século XXI passa a enfrentar, em parte, por consequência do progresso da industrialização e do desenvolvimento de novas tecnologias.

Durante uma situação de perigo, somos afetados por diversas reações emocionais, físicas, cognitivas e interpessoais de várias intensidades. Nosso coração acelera instantaneamente, a boca fica seca, os músculos ficam tensos e os nervos entram em alerta. Sentimos ansiedade, medo ou, até, terror. Tomamos consciência da nossa vulnerabilidade e nosso poder e esperanças são abalados.

O impacto de um desastre afeta tanto a comunidade como os componentes das equipes de emergência. Tudo isto aponta para a importância da capacitação em Psicologia dos Desastres para que as equipes de emergência saibam lidar com as reações das pessoas atingidas e trabalhem melhor com seus próprios sentimentos, diminuindo os possíveis traumas ou consequências prejudiciais após uma catástrofe.


Confira a bibliografia usada neste artigo.



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ARTIGO: INCÊNDIO SOB CONTROLE
Autor: Marcelo Ferreira
Foto: Rogério Ramos/Rinem

Empresas necessitam de acompanhamentos constantes de suas soluções e medidas de proteção aplicadas


Todo empreendimento seja qual for seu ramo e segmento, desejará sempre manter a ordem e a segurança de seus colaboradores. Para isso, deve-se frisar os cuidados com preceitos básicos e intrínsecos de prevenção e manutenção, de como evitar e, no caso da ocorrência de sinistro, saber conduzir a situação para a mais tranquila providência, garantindo a preservação de todos, e tendo soluções para quaisquer casos possíveis e imaginários.

Pensando em uma catástrofe, quando não há possibilidades de evitá-la, na pior das hipóteses, devemos sempre controlá-la com eficácia. Sabendo que o incêndio é algo inesperado e, quando existente, trará consequências danosas à vida e ao patrimônio, vamos abordá-lo com maior critério.

Passo a passo é preciso verificar como a empresa está se adequando às condições de prevenção e combate a incêndio. Esta verificação criteriosa feita por etapas, deve ter como base a preservação da vida, a começar pelos funcionários. Iniciamos com pesquisas sobre: a existência de trabalhos de conscientização, de como estão as simulações realizadas pela Brigada de Incêndio, rotas de fuga e saídas de emergência, suas condições e sinalizações para o conhecimento de todos, quanto ao posicionamento de equipamentos e materiais de combate a incêndio para o seu pronto uso, se a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) está atenta para qualquer defeito ou a má utilização de máquinas e equipamentos e a existência de projetos de proteção ativa, como a instalação de equipamentos automáticos contra incêndio. Completando, é viável o cumprimento contido em Instruções Técnicas, normas e leis, atinentes ao combate a incêndios.


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