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Aumenta nº de vítimas atingidas por gás tóxico em incêndio

Divulgação/Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo
Data: 09/10/2018 / Fonte: G1

Santos/SP - O incêndio que resultou na emissão de gás tóxico em Santos, no litoral de São Paulo, levou ao menos 98 pessoas a hospitais. A empresa, que tinha autorização para funcionar como uma marcenaria, estava armazenando clandestinamente ao menos duas toneladas de um produto utilizado para eliminação de pragas.

O sinistro ocorreu nesta segunda-feira (8) e foi controlado após intervenção de 20 equipes do Corpo de Bombeiros, que inicialmente não foram informadas pelo proprietário sobre o material tóxico ali guardado. A região foi isolada, moradores foram evacuados das casas e equipes ambientais acionadas.

Na manhã desta terça-feira (8), o que restou da substância, neutralizada com areia, vai ser removida do galpão que acabou destruído pelo incêndio e será levada a um lugar isolado. A operação será acompanhada pelas equipes de emergência, que decidiram pelo transporte do material para garantir a segurança das pessoas e do meio ambiente.

O que se sabe até agora:
- Marcenaria armazenava mais de 2 toneladas de fosfeto de alumínio;

- Produto químico é utilizado para a eliminação de pragas em barcos;

- Área foi isolada e incêndio foi controlado durante a madrugada;

- 98 pessoas atendidas (62 moradores) por suspeita de intoxicação;

- Polícia, Ibama, Cetesb, Prefeitura investigam irregularidades no local.

Técnicos da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informaram que a substância foi liberada no ar na medida em que as chamas eram apagadas pelos bombeiros. Trata-se do gás "fosfina", denso, com odor característico de alho e inflamável, cuja emissão ocorre da reação do fosfeto de alumínio com a água.

Os bombeiros encontraram o produto em frascos armazenados nos fundos do galpão e, segundo a equipe de emergências da Cetesb, a autoridade ambiental paulista, seria destinado para fumigação visando a eliminação de pragas em embarcações atracadas no Porto de Santos. O local não tinha autorização para a atividade.

Segundo a Prefeitura de Santos, a empresa Pier Embalagens de Madeira Ltda tinha inscrição municipal emitida para atuar como comércio de madeira e artefatos. "Do ponto de vista documental, ela possui alvará de funcionamento desde 2000 e o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) está válido até 2021".

O capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo, informou que a polícia investiga a situação de eventual armazenamento irregular do produto, assim como as causas do incêndio. Ele também explicou que as equipes permanecem de prontidão monitorando o local para evitar nova ignição do fogo.

A agente federal Ana Angélica Alabarce, do núcleo de emergências do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), informou que o órgão também abriu investigação. "Se a empresa não estiver inscrita no Cadastro Técnico Federal para manusear o produto, certamente será autuado".

A Defesa Civil manteve a área isolada, mas na noite de segunda-feira (8), permitiu que os moradores retornassem para as residências no entorno. A Prefeitura de Santos mantém o bloqueio para veículos na Rua Doutor Cochrane, entre as ruas João Pessoa e General Câmara, e o armazém foi interditado até a retirada dos resíduos.

`Protocolo de desastre`
Em Santos, 62 moradores do bairro, sendo 14 crianças, foram encaminhadas à Santa Casa da cidade. Das equipes que atenderam a ocorrência, 23 bombeiros, oito policiais militares e cinco brigadistas da Guarda Portuária foram encaminhadas até o Hospital das Clínicas (HC). Todos foram submetidos a exames de emergência.

O capitão Palumbo, dos bombeiros, informou que tratou-se de uma medida cautelar, coordenada por todos os órgãos envolvidos, já que ninguém estava ferido, mas a inalação do gás pode ocasionar problemas pulmonares assintomáticos. Em ambas instituições, os pacientes foram atendidos por "suspeita de intoxicação".

A Santa Casa de Santos informou na segunda-feira que entre os moradores atendidos, manteve nove adultos em observação. Já o Hospital das Clínicas da capital paulista, disse que "acionou o plano de desastres" em razão do alto número de pacientes, isolou uma ala do Pronto-Socorro, mas liberou todos ainda no mesmo dia.

Segundo o médico pneumologista, Alex Macedo, a inalação do gás fosfina ocasiona grave risco à saúde. "Pode causar queimadura tanto de pele quanto nas vias respiratórias, causar lesões no fígado, no estômago e até no pulmão. Normalmente, pode morar de 24 a 48 horas para haver algum sintoma ou reação", explicou.

O G1 não conseguiu contato com representantes da empresa até a última atualização dessa reportagem.
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